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CAPÍTULO 1
Criado em uma família de camponeses, Luís Petêncio, desde muito cedo, deu mostras de que não nascera para ser mais um idiota. Ele queria ser mais. Queria ser o maior de todos. Queria ser o Rei. Mas a chama interior, que ardia forte em seu peito, esfriava ante a obstáculos que pareciam-lhe intransponíveis. Suas aptidões intelectuais eram bastante limitadas e, logo, descobriu que também não era muito afeito ao trabalho braçal. Para agravar sua situação, também não apreciava a leitura e detestava ser contrariado.
Mas, por mais reticente que seja o aluno, um professor competente sempre saberá como guiá-lo. Com o jovem Petêncio não foi diferente. Quando a energia de sua juventude ameaçava transbordar em rompantes de cólera irrefletida, ele encontrou aquele que seria o seu mestre: o Grande Mago Joseph Gauche. Gauche havia sido banido de Plateaux há muitos anos, acusado de praticar Magia Vermelha. Vivendo na clandestinidade, aprimorou suas habilidades e, vendo em Luís uma espada para seus desígnios, tomou-o como pupilo e começou a arquitetar seus planos sinistros.
O Grande Mago passou a ocupar-se da instrução de Luís, tarefa árdua até mesmo para alguém acostumado à magia. Juntos, estudaram os Antigos Livros, descobrindo que o camponês Luís Petêncio era, na realidade, um nobre de alta linhagem e herdeiro do trono. Ninguém seria capaz de contestar esta afirmação. A indolência, a ignorância e a soberba características do rapaz corroboravam a alegação de nobreza. Ademais, após estudados, os Antigos Livros foram queimados sob o pretexto de que, entre uma e outra afirmação acurada, o restante de seu conteúdo era pura invencionice neoliberal.
A batalha, quando conseqüência de uma causa justa, pode tomar contornos violentos. Entretanto, a batalha sob motivos forjados é muito mais perigosa, pois bebe na fonte dos sentimentos mais primitivos dos homens: a ganância e a intolerância. No processo de submissão da própria consciência, o indivíduo abandona a razão em prol de uma dignidade imaginária, que passa a defender com unhas e dentes. Assim, sob a bandeira de uma nova e próspera realidade, o mais novo postulante ao trono iniciou sua escalada à majestade.
Naquele tempo, anos da construção de Petêncio, o Reino de Plateaux passava por sérias dificuldades. O velho Rei e os seus antecessores haviam promovido várias reformas. Entre erros e acertos conseguiram indicar um caminho para o progresso da Nação, mas não lograram êxito no desenvolvimento pleno de seus objetivos. O povo, sentindo-se esquecido, clamava por dignidade.
Abdicando do trono e finalizando uma era, o velho Rei entregou o país aos nobres, que em seguida trataram de escolher um Regente. O principal postulante, preferido por nobres e plebeus, morreu pouco antes de sua ascenção. Por anos, outros revezaram-se na árdua tarefa de reinar, nenhum com muito entusiasmo, enfrentando sempre o descontentamento da populaça. Até que as atribuições do soberano recaíram sobre o velho sábio Ferdinand Henry Toucan.
Em sua já distante juventude, Toucan, nascido de boa família, havia lutado e gritado contra os velhos reis. Exilado, dedicou-se a aprimorar seus conhecimentos e, principalmente, sua imagem. De volta a Plateaux, demandou seu retorno à nobreza, onde foi aceito como um par. De conselheiro real, passou a Regente. Sob suas ordens, o Reino prosperou. Pouco, mas prosperou. Cansado e desgastado, Henry Toucan abdicou e procurou a solidão. Ainda hoje vive nas montanhas, não tão distantes do planalto que empresta o nome ao país. De lá, compartilha sua sabedoria com aqueles que o procuram. Mas cobra uma grana violenta.
Este breve resumo histórico serve de base para o entendimento da cena político-social do reino à época. Afere-se das circunstâncias, que o momento era propício para a dinastia Petêncio assumir a posição que há tanto almejava. Faltava apenas um detalhe. Tornava-se mister uma mudança radical na imagem de Luís Petêncio. Sua identificação com os plebeus não lhe garantia respeito, determinação ou autoridade, qualidades imprescindíveis a um monarca.
Joseph Gauche entrou em ação convocando o experiente Edward de Mendoza que, financiado pelo Barão Marcus Schönerorizont, promoveu uma verdadeira maquiagem social em Petêncio. A tal ponto, que o próprio Luís passou a acreditar que era o maior baluarte moral do Reino, ungido pelo Divino e único capaz de trazer a salvação a Plateaux.
No início de seu reinado, Luís Petêncio gozava de grande prestígio entre os nobres do Reino. O Rei era, de certo modo, admirado e temido em seu círculo social. É claro que, longe de suas vistas, era também ridicularizado e menosprezado por sua pouca instrução e grave tendência a falar besteiras. Entretanto, seu carisma e modos bárbaros rendiam-no grande apoio da plebe, o que acabava refletindo em sua interlocução junto à nobreza. Ora, ele próprio havia surgido dentre os pobres e guindado à realeza.
Apesar de sua ignorância peculiar, o Rei, em seus anos de convivência com o Grande Mago, aprendera a ser prudente com seus aliados. Temendo perder a parcela de controle que possuía, convocou o Tribuno Pôncio Palotius para o Conselho Real, numa tentativa de equilibrar as disputas internas da cúpula do poder. E assim, aos trancos e barrancos, iniciou-se a breve dinastia Petêncio.
Categoria: Crônicas do Reino de Plateaux
Escrito por Gerson Murphy às 11h28
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PRÓLOGO
A chuva fina e o vento frio anunciam o início do inverno no Reino de Plateaux. Com suas enorme extensões territoriais, lindas paisagens e repleto de recursos naturais, Plateaux mais se assemelha a uma terra encantada. Montanhas alterosas, florestas intermináveis, vales férteis, praias lindíssimas e mulheres boazudas a espraiar-se em um harmonioso e soberbo conjunto. Entretanto, na corte, um processo inexorável de apodrecimento assola a Terra do Sabiá.
O Rei Luís Petêncio está deprimido. Nada, nem ninguém, pode fazê-lo sorrir novamente. A Rainha Folclora organiza bailes, festas, jantares, mas não há como agradar ao Rei. Sua filha, a Princesa Mensala, foi conspurcada.
Longa é a história de amor e ódio entre a Princesa Mensala e Bob, o Bardo. Dos primeiros olhares, sob os auspícios do Grande Mago Joseph Gauche, até o clímax de sua única noite de amor, culminando na vergonha para todos, os acontecimentos daquela época deixaram sua marca em todos os habitantes do Reino. Suas conseqüências permanecem incertas.
Mas não adiantemo-nos. Vamos voltar ao início, quando o Rei Luís havia sido coroado e o povo, regozijado, saudava seu soberano, entronado sob grande aclamação, depositário das esperanças e sonhos da Nação.
Categoria: Crônicas do Reino de Plateaux
Escrito por Gerson Murphy às 15h32
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Histórias do Reino de Plateaux
A partir de hoje, estarei publicando as Crônicas de Plateaux. Trata-se de um reino mítico, habitado por seres imaginários que, por coincidência, parecem-se muito conosco.
Caso meus dois ou três leitores (três se minha amada esposa finalmente resolveu ler o que eu escrevo) gostem da história, por favor indiquem, pois é chato pra caralho escrever para ninguém ler.
A correção dos erros de Português serão benvindas, desde que não sejam pra me sacanear. Aceito também sugestões para reescrever trechos ou roteiros possíveis. Claro que, neste caso, os créditos serão todos meus.
Obrigado.
PS: para acessar as crônicas basta clicar no link CRÔNICAS..., na lista de links ao lado.
Escrito por Gerson Murphy às 15h23
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CAMPANHA NACIONAL PELA INVESTIGAÇÃO TOTAL DA CORRUPÇÃO
Meus queridos dois leitores!
Conclamo-vos a apoiar e divulgar maciçamente a campanha de moralização deste país. Queremos que o Presidente da República, no uso de suas atribuições constitucionais (e não intelectuais), pare de ficar enrolando e comece a agir para que se investigue a sério todo esse mar de lama que assola a Nação. Não é mais possível que o Presidente coloque-se à margem dos acontecimentos, escondendo-se do foco. Juntem-se a nós e brade com vigor:
PRESIDENTE, JURO ALTO É COISA DO PASSADO LEVANTE O SEU TRASEIRO E INVESTIGUE UM ALIADO

Escrito por Gerson Murphy às 09h25
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, no lançamento da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) em Luziânia (GO)que, se é para lutar contra a corrupção, ninguém tem mais moral do que ele.
Será?
Mas se, a despeito da defesa ferrenha que a imprensa e até mesmo os partidos ditos "de oposição" fazem do Presidente, ele está metido até o pescoço na sujeirada, como é que tem moral pra alguma coisa?
Faz-me rir...
O que Lula precisa é de um símbolo, com as cores brasileiras, que identifique sua moral perante o povo. Vai aí uma sugestão:

Escrito por Gerson Murphy às 11h42
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Saiu no site do Claudio Humberto:
Ex é para sempre Aconteceu o que mais temia o presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP): sua ex-mulher, a socialite Maria Christina Mendes Caldeira, se ofereceu – e foi aceita – para depor como testemunha do deputado Roberto Jefferson.
 Charles Wilder Oakes The Ex-Wives Clambake - 2004 oil on panel 48" x 36"
Escrito por Gerson Murphy às 10h07
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Bin Laden vive fora do Afeganistão, diz embaixador dos EUA
Notícia retirada do site do Jornalista Diego Casagrande:
Não estão mais no Afeganistão o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, e o mullah Mohamad Omar, líder do Taleban. A revelação foi feita nesta quinta-feira (16.06) pelo embaixador dos Estados Unidos no país, Zalmay Khalilzad, durante entrevista coletiva.
O diplomata afirmou que a busca por Bin Laden continua. "Simbolicamente é muito importante que seja levado à Justiça", justificou. Ele garantiu que o governo dos EUA "obteve avanços" no combate à Al Qaeda. Citou a prisão de alguns de seus principais líderes, bem como o enfraquecimento da capacidade financeira do grupo terrorista.
Entretanto, numa ação audaciosa, nossos investigadores encontraram o fascínora aqui no Brasil. Segundo fontes de Brasília, o milionário terrorista contribuía para o "mensalão" em troca de proteção. Foi fotografado quando saía do prédio aonde estava escondido. Pensou que lá estaria a salvo de investigações...

Escrito por Gerson Murphy às 14h28
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Anunciada A Reforma Ministerial
Eis o novo Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão

Escrito por Gerson Murphy às 11h35
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Cadê os caras pintadas?
Cara, cadê os caras pintadas?
A GLOBOlização deixou suas marcas na população...ninguém reclama, ninguém fala nada.
Os caras pegam milhões sei lá de onde (é provável até que nós tenhamos contribuído) e saem distribuindo. E a gente? A gente nada, ora bolas...
Enquanto isso, no mundo real, neguinho vive com salário de bosta, velho morre na fila do INSS, pobre é operado na maca do hospital, enfim, tudo como dantes...e a inércia continua...
Cadê os caras pintadas? Os únicos que eu vi foram os da foto abaixo...

Escrito por Gerson Murphy às 10h49
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E ela negou...
Putz,
A secretária patriótica negou as acusações...mais uma vez a gente sai prejudicado.
Quando todo mundo achava que dessa vez não sobraria pedra sobre pedra, eis que a secretária nega as acusações, reveladas em entrevista a uma revista. Mas não é só isso. Para completar o caso, o governo assumiu o comando da CPI dos correios. Dá pra acreditar num troço desse? Eles assumiram as investigações contra eles mesmo. Estranho? Bem, no Brasil, nem tanto assim...adivinha quem vai se prejudicar...
Mas não dá pra gente reclamar de tudo não. Prenderam os donos da Schincariol. Ainda bem que não foram os da Skol. Isso sim seria prejuízo.

Escrito por Gerson Murphy às 08h37
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Toda essa confusão no CÚpula do poder em Brasília, me deixou muito preocupado em relação ao meu futuro, por dois motivos principais. O primeiro, de cunho social-patriótico, diz respeito à Nação Brasileira. O outro, mais particular, tem a ver com o meu casamento. Vamos por partes.
A sujeirada nos Três Poderes me preocupa social-patrioticamente porque eu não vejo resposta da sociedade. É só você sair na rua e tentar conversar com alguém a respeito do assunto. O povo parece meio "amortecido". Nenhuma crise, por pior que seja, consegue tirar o brasileiro de sua inércia. Um deputado põe a boca no trombone, a secretária de um dos envolvidos confirma a hisória e...nada. Posso comparar o Brasil a um grupo de escoteiros. Um bando de crianças vestidas de bobocas, comandadas por uns bobocas vestidos de criança. Assim somos nós. Um bando de crianças, sem opinião própria, vestindo a camisa da seleção, liderados por uma seleção de bobalhões com a ganância e o egoísmo próprios das crianças.
Já com o meu casamento, a preocupação é um pouco diferente. Uma vez que eu me casei com uma secretária, me dá medo pensar no que ela pode fazer com a minha reputação, caso eu pise na bola. De qualquer maneira, vou tentar surrupiar a agenda dela. Só por precaução.
Escrito por Gerson Murphy às 12h08
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